1/09/2008

Les bêtes de la mer


Henri Matisse, Beasts of the Sea, 1950, colagem de papel em tela.

1/01/2008

The Raw Shark Texts


"The Ludovician fish is a predator, a shark. It feeds on human memories and the intrinsic sense of self. Ludovicians are solitary, fiercely territorial and methodical hunters. A Ludovician might select an individual human being as its prey animal, and pursue and feed on that individual over the course of years, until that victim's memory and identity have been completely consumed. Sometimes, the target's body survives this ordeal and may go on to live a second twilight life after the original self and memories have been taken. In time, such a person may establish a 'bolt on' identity of their own, but the Ludovician will eventually catch the scent of this and return to complete its kill."


Um livro estranho, sobre um tubarão metafísico, que se alimenta da memória e da identidade das pessoas. Hum...

Mas é simpático o autor incluir na sua página do MySpace referências aos problemas de conservação dos tubarões.

12/06/2007



Nela Vicente

Dá tempo ao tempo
Óleo s/ tela
40x30

12/04/2007

Não aconselhável



Por várias razões: incomoda o animal; cria um mau precedente (depois da alimentação de tubarões, só faltava mesmo a natação com tubarões); pode levar uma dentada, ou fazer uma ferida por raspagem; pode fazer uma embolia pulmonar; (a completar...)

11/27/2007

Off the mark



Mark Parisi tinha 210 cartoons de peixes da última vez que vi. Uma mina!

11/24/2007

Big Fish



Adaptado para filme por John August e realizado por Tim Burton (ver site oficial).

11/04/2007

Fundo do mar



No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.

Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.

Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.

Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.


Sophia de Mello Breyner Andresen

10/19/2007



Caldeirada
Alberto Janes (1977)

Em vésperas de caldeirada o outro dia
Já que o peixe estava todo reunido
Teve o goraz a ideia de falar à assembleia
No que foi muito aplaudido

Camaradas principia a ordem do dia
É tudo aquilo que for poluição
Porque o homem que é um tipo cabeçudo
Resolveu destruir tudo pois então

E com tal habilidade e intensidade
Nas fulguranças do génio
Que transforma a água pura numa espécie de mistura
Que nem tem oxigénio

E diz ele que é o rei da criação
As coisas que a gente lhe ouve e tem que ser
Mas a minha opinião, diz o pargo capatão,
Gostava de lha dizer.

Pois se a gente até se afoga,
Grita a boga, por o homem ter estragado o ambiente.
Dar cabo da criação, esse pimpão,
E isso não é decente!

Diz do seu lugar tá mal o carapau
Porque por estes caminhos
Certo vamos mais ou menos ficando todos pequenos
Assim como “jaquinzinhos”

Diz então o camarão a certa altura
Mas o que é que nós ganhamos por falar?
Ó seu grande camarão, pergunta então o cação
Você nem quer refilar?

Se quer morrer, diz a lula toda fula
Com a mania da cerveja nos cafézes
Morra lá à sua vontade que assim seja
Para agradar aos fregueses

Diz nessa altura a sardinha p'rá taínha
Sabe a última do dia? A pescadinha já louca
Meteu o rabo na boca
O que é uma porcaria!

Peço a palavra- gritou o caranguejo-
Eu que tenho por mania observar,
Tenho estudado a questão e vejo a poluição
Dia e noite a aumentar.

Cai do céu a água pura
E a criatura pensa que aquilo que é dele, é monopólio.
Vai a gente beber dela e a goela
Fica cheia de petróleo!

A terra e o mar são para o cidadão
Assim como o seu palácio
Se um dia lhe deito o dente
Pago tudo de repente ou eu não seja crustáceo!

É um tipo irresponsável grita o sável
O homem que tal aquele
Vai a proposta p'rá mesa ou respeita a natureza
Ou vamos todos a ele!

10/07/2007

Crueldade



Chocante! Sem mais comentários.

10/03/2007

Contaminação ambiental



Ying et al., 2002. Occurrence and fate of hormone steroids in the environment.

Tanabe, 2002
. Contamination and toxic effects of persistent endocrine disrupters in marine mammals and birds.

9/29/2007

Lei da selva = lei do mar?



A "lei da selva" é invocada sempre que se quer descrever um ambiente de competição desenfreada, um salve-se quem puder em que impera o individualismo. Curiosamente, em termos gráficos, é a imagem do peixe grande a comer o peixe pequeno que impera quando se pretende ilustrar este mesmo conceito. Este tema, por sua vez, tem sido glosado de muitas maneiras, como o cartoon de Ken Sprague.

O cartoon acima é mais um exemplo. O autor conseguiu ilustrar de forma brilhante a forma selvagem e descontrolada que se permitiu que o sistema financeiro atingisse. Os resultados estão à vista, em termos de instabilidade do mercado de trabalho mas sobretudo em termos da interiorização de uma cultura de individualismo e de imediatismo que corrói os fundamentos de uma sociedade equilibrada.

O que fica esquecido nestas metáforas é a importância da cooperação no comportamento e na evolução dos seres vivos, e dos peixes concretamente, desde os comportamentos de limpeza até à inspecção de predadores.

9/17/2007

Paráfrase

Dê um peixe a um homem e e ele terá comida por um dia.
Ensine-o a pescar, e ele passará o resto da vida sentado num barco a beber cerveja.

8/31/2007

MISTÉRIOS

Ilustração: Alice Jorge


O pescador veio do mar
Chegou de manhã
Trouxe uma rede
Cheia de peixes
Que pescara na noite

     Veio
     No seu barco
     Sozinho com os peixes
     Presos
     Na rede

E as estrelas no céu
     presas dormiam
     na luz da manhã
Quem come um peixe
     não sonha estes mistérios


Matilde Rosa Araújo (1988)

8/24/2007

Emoções e sentimentos nos peixes?



Discuti este ano com os meus alunos os textos de Peter Singer sobre a distinção entre ser humano e pessoa, no contexto da ética aplicada à caça dos cetáceos. Basicamente, Singer define “pessoa” como qualquer ser com consciência de si próprio enquanto entidade autónoma, com um passado e uma perspectiva de futuro. Paralelamente, discorre sobre o fundamento do direito à vida das pessoas. O seu raciocínio, cristalino e de difícil refutação, leva à conclusão de que qualquer pessoa tem direito à vida, independentemente da espécie a que pertença.

Pensadores despreconceituados e minimamente informados não terão dificuldade em admitir que os grandes símios devem ser incluídos nesta categoria, havendo até já batalhas legais sobre o assunto, como a do chipanzé Hiasl. A legião de admiradores dos cetáceos, entre os quais me incluo, não quererão ficar atrás [v. Marino, 2004]. E muitos donos de cães e de papagaios [v. tb. Emery & Clayton, 2005 e Emery, 2006], que podem contar histórias mais ou menos incríveis sobre a inteligência dos seus amigos não humanos, ficarão contentes em ver vindicados a sua dedicação e o seu amor.

Conferir o estatuto de pessoa a um animal não humano (repare-se na imediata necessidade de alterar a nomenclatura) tem, porém, implicações morais e, por consequência, económicas. De facto, se é pacífico e até in defender o direito à vida dos grandes símios, que dizer dos porcos, por exemplo? Imagine-se o que seria proibir, à escala planetária e por razões éticas, o abate de porcos! Claramente, esta é uma via em que é necessário prosseguir com cautela. E, a certa altura, definir uma linha: acima dela estarão as pessoas, humanas ou não, abaixo os animais não humanos. Uma minhoca, por exemplo, não é, claramente, uma pessoa. Nem uma estrela-do-mar. Mas, e um peixe?

Recentemente surgiram uma série de trabalhos nesta área, muitos dos quais felizmente disponíveis na internet. Destes sugiro:

Braithwaite & Boulcott, 2007. Pain perception, aversion and fear in fish. Diseases of Aquatic Organisms, 75: 131–138.

Chandroo et al., 2005. An evaluation of current perspectives on consciousness and pain in fishes. Fish and Fisheries 5: 281–295.

Lund et al., 2007. Expanding the moral circle: farmed fish as objects of moral concern. Diseases of Aquatic Organisms, 75: 109–118. [A expressão vem do livro de Peter Singer e é glosada, e.g., neste artigo de Albert Mosley]

Volpato et al., 2007. Insights into the concept of fish welfare. Diseases of Aquatic Organisms, 75: 165-171.

Aconselho sobretudo o excelente artigo de revisão de Leonor Galhardo e Rui Oliveira: Bem-estar Animal: um Conceito Legítimo para Peixes? Revista de Etologia 2006, 8(1): 51-61. Estes autores concluem que os peixes são sencientes, i.e., têm consciência de sensações e sentimentos. Sentem dor, têm medo, sofrem com o stresse. Não poderão ser considerados pessoas, mas (concluem estes autores):
"A existência de senciência confere aos peixes um estatuto moral com implicações éticas na sua protecção. Apesar de a legislação já englobar a protecção de todos os vertebrados, existem ainda inúmeras questões acerca do bem-estar de peixes que importa esclarecer, sendo a formulação de recomendações para a manutenção e tratamento destes animais em cativeiro uma necessidade cada vez mais pertinente."

Fica pois a pergunta: onde, na escala evolutiva dos peixes aos primatas, passa a linha que divide pessoas de não pessoas?

2/27/2007

Farpas no bacalhau



As Farpas são uma obra notável da nossa literatura, e podem ser lidas online ou descarregadas do site do Projecto Gutenberg. No tomo IX da nova série (Maio a Junho de 1877) existe uma interessante referência à ictiologia.

Ramalho Ortigão elege o estado da Marinha na época como "phenomeno mais expressivo da nossa anarchia administrativa e da nossa abdicação governamental". Sob a tese de que é estudando e incentivando a pesca que se constrói o capital humano e material de apoio a uma Marinha credível, Ortigão insurge-se contra o abandono a que o governo da época vota a actividade pesqueira. As condições de apoio e planeamento estatal à pesca do bacalhau em França são constrastadas com o desgoverno da mesma pesca em Portugal:

"Quando eramos fortes mandavamos cincoenta ou sessenta navios de pesca para a Terra Nova. Hoje pescamos na costa o carapau para o gato, servindo-nos de redes que deveriam ser prohibidas, despovoando as aguas de pequenos peixes insignificantes, que pelo contrario pesariam dois kilos e seriam um importante artigo alimenticio, se tivessemos estudado os nossos apparelhos de pesca e soubessemos legislar sobre a dimensão permittida ás malhas das redes."
E continua Ramalho Ortigão, dando mostras de um bom conhecimento dos aspectos fundamentais da gestão de recursos pesqueiros:

"As especies de peixes que frequentam as nossas costas estão por estudar. A piscicultura não tem sido objecto de maiores disvellos que a ictyologia: nem uma só medida tomada pelo Estado para repovoar as aguas das nossas costas e dos nossos rios principaes; nenhum estudo feito sobre os botes e sobre os apparelhos empregados na pesca."

Insurgindo-se em seguida com as condições desumanas da vida dos pescadores da Póvoa do Varzim, "os homens mais alentados e mais robustos que tem Portugal", o nosso melhor polemista termina com um elogio à iniciativa da Academia [Real das Sciencias de Lisboa] "de nomear o sr. [Felix] Brito Capello, naturalista adjunto do museu zoologico, para ir estudar ao longo do nosso littoral a industria da pesca e de expôr os meios de a reorganisar."

Brito Capello (irmão de Hermenegildo Capello, explorador africano) tinha publicado no Jornal de Sciencias Mathematicas, Physicas e Naturaes da citada Academia catálogos dos peixes e dos crustáceos de Portugal, mas Ramalho Ortigão refere-se sem dúvida ao seu artigo "Algumas considerações ácerca da industria piscicola em Portugal", publicado em 1876 no tomo V (19): 159-164 da mesma revista.

2/08/2007

O maneirismo português...


O Amor Virtuoso castigando a Fortuna, Francisco Venegas, c. 1580-1590
Gabinete de Desenhos do MNAA, Lisboa

Foto: Arnaldo Soares, © ANF/IPM

... ou os vários usos de um peixe.


Desde as histórias de Astérix que não via um peixe ser utilizado para castigos corporais. Esta imagem tem no entanto contornos bem menos inocentes que as desavenças de Ordralfabétix e Cetautomatix.

Francisco Venegas (15??-1594) foi um dos representantes de um estilo artístico designado por Maneirismo. Ocupando o espaço temporal entre o Renascentismo e o Barroco, os maneiristas tiveram bastante expressão em Portugal, sobretudo na pintura. Revoltando-se contra a contenção e a formalidade do Renascentismo, introduziram poses teatrais e arrojadas e um equilíbrio de cores ousado.

É deste autor, também, outra obra, digamos, invulgar: uma Santa Maria Madalena (c. 1570-1580), exposta na Igreja da Graça, Lisboa.