6/11/2008

Peixes e qualidade de água

No âmbito da Directiva Quadro da Água é necessário avaliar e monitorizar o estado ecológico das massas de água, constituindo os peixes um dos grupos indicadores para as massas de água doce e de transição.

O trabalho a este nível está muito atrasado, e o que existe tem sido desenvolvido para rios. Já temos (desde Janeiro) um protocolo de amostragem, valha-nos isso, mas há muito trabalho a fazer na elaboração de índices de qualidade a partir da informação recolhida.

Existem actualmente quatro índices de qualidade baseados em peixes:

  • IBI (Index of Biotic Integrity), de Karr et al., 1986- desenvolvido e usado sobretudo nos Estados Unidos
  • IBICAT, de Sosta et al., 2003- desenvolvido para a Catalunha (v. tb. Benejam, 2008)
  • FBI, de Oberdoff et al., 2002- desenvolvido para França
  • EFAI, de Pont et al., 2006, em desenvolvimento para toda a Europa.

L. Benejam, E. Aparicio, M. J. Vargas, A. Vila-Gispert and E. García-Berthou, 2008. Assessing fish metrics and biotic indices in a Mediterranean stream: effects of uncertain native status of fish. Hydrobiologia 603:197–210

Karr J. R., K. D. Fausch, P. L. Angermeier, P. R. Yant & I. J. Schlosser, 1986. Assessing Biological Integrity in Running Waters: A Method and its Rationale. Illinois Natural History Survey, Champaign, Illinois.

Oberdorff, T., D. Pont, B. Hugueny & J. P. Porcher, 2002. Development and validation of a fish-based index for the assessment of rivers ‘health’ in France. Freshwater Biology 47: 1720–1735.

Pont, D., B. Hugueny, U. Beier, D. Goffaux, A. Melcher, R. Noble, C. Rogers, N. Roset & S. Schmutz, 2006. Assessing river biotic condition at a continental scale: a European approach using functional metrics and fish assemblages. Journal of Applied Ecology 43: 70–80.

Sostoa, A., N. Caiola, D. Vinyoles, S. Sanchez & C. Franch, 2003. Development of a biotic integrity index (IBICAT) based on the use of fish as indicators of the environmental
quality of the rivers of Catalonia. (In Catalan). Report to the Catalan Water Agency, Barcelona. [available on-line at: http://www.gencat.net/aca/en//planificacio/directiva/treballs.jsp#C].

6/09/2008

Capital natural e capital construído

Parece óbvio, não é?

O que não é óbvio é a ilustração provir de um artigo de um (arrgg!) economista, Herman Daly, num artigo publicado no Scientific American:
Most contemporary economists do not agree that the U.S. economy and others are heading into uneconomic growth. They largely ignore the issue of sustainability and trust that because we have come so far with growth, we can keep on going ad infinitum.
[...]But the facts are plain and uncontestable: the biosphere is finite, nongrowing, closed (except for the constant input of solar energy), and constrained by the laws of thermodynamics. Any subsystem, such as the economy, must at some point cease growing and adapt itself to a
dynamic equilibrium, something like a steady state. Birth rates must equal death rates, and production rates of commodities must equal depreciation rates.
Vale a pena ler o resto do artigo e, já agora, os restantes do mesmo autor.

5/31/2008

Materpiscis attenboroughi

Leio hoje no Açoriano Oriental uma notícia: "Descoberta a mais antiga mãe do mundo... um peixe". Não deixa de ser interessante ver uma notícia sobre evolução de peixes num jornal local, ainda para mais tendo sido publicada apenas ontem na Nature. Outro aspecto interessante é o da publicação ter sido orquestrada para coincidir com a abertura da respectiva exposição no Museum Victoria, em Melbourne, para a qual foi criado este vídeo:

Mother Fish Animation


Ora, que havia peixes mães não é novidade para muitas pessoas: muitos tubarões são vivíparos, como se pode ver neste excelente vídeo. O que já menos pessoas sabem é que os tubarões terão surgido pouco depois dos placodermes (de que o Materpiscis é um exemplo). São um grupo-irmão, na gíria cladística:
Materpiscis está datado de há 380 milhões de anos, mas existe um fóssil intacto de tubarão com 409 milhões de anos. Ou seja, quando este animal específico morreu nadavam tubarões no mar há muuuuuuito tempo. De facto, ambos este fósseis são do Devónico, a Idade dos Peixes, quando se pensa que a separação entre placodermes e elasmobrânquios se deu no início do Silúrico.

O que significa então ser a mais antiga mãe do mundo? Apenas que este é o registo de viviparidade mais antigo que se conhece.

Mas deixa-me a pensar que pode ter acontecido que descendamos de um ancestral vivíparo, que perdeu essa capacidade na cisão dos peixes ósseos, apenas para a re-ganhar com a passagem para o meio terrestre, através do longo processo cujas etapas são ainda hoje visível nos anfíbios, répteis, monotrématos e marsupiais. Mas talvez não: afinal a viviparidade evoluiu pelo menos 42 vezes em 5 dos 9 principais grupos de peixes...

4/28/2008

Ichthus


Crusaders, 14"x29", © 2006 Kush Fine Art

Esta pintura de Vladimir Kush veio lembrar-me que os primeiros cristãos usavam a imagem do peixe para se identificarem porque a palavra grega para peixe podia ser considerada um acrónimo de "Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador".


Mais tristemente, a pintura lembra igualmente o sangue inocente vertido em nome desse mesmo Jesus, quer durante as cruzadas quer em tempos bem recentes...

4/15/2008

Historiae Naturalis De Piscibus Et Cetis


Jan Jonston (1603-1675)
foi um intelectual e médico polaco de origem escocesa. Publicou uma Historiae Naturalis em vários volumes, dos quais o V é dedicado aos peixes e aos cetáceos.

Esta preciosidade está disponível na internet, e faz-me lamentar a minha dificuldade em ler latim. Mas podem ver-se os desenhos, espectaculares como o que escolhi para ilustrar esta entrada. Mas estranho mesmo são, no capítulo De aliquot aliis, & inter hos monstrosis piscibus (De vários outros e entre estes peixes monstruosos? cruzando a tradução automática com o dicionário...), os Anthropomorphos.
Se um dia aprender latim, virei aqui ler como se encarava no séc. XVII a relação entre os peixes e os cetáceos...

4/10/2008

Ichthyo-humour


"The Near Side", uma colecção de cartoons ictiológicos do laboratório de Timothy C. Tricas, na Universidade do Hawaii.

1/09/2008

Les bêtes de la mer


Henri Matisse, Beasts of the Sea, 1950, colagem de papel em tela.

1/01/2008

The Raw Shark Texts


"The Ludovician fish is a predator, a shark. It feeds on human memories and the intrinsic sense of self. Ludovicians are solitary, fiercely territorial and methodical hunters. A Ludovician might select an individual human being as its prey animal, and pursue and feed on that individual over the course of years, until that victim's memory and identity have been completely consumed. Sometimes, the target's body survives this ordeal and may go on to live a second twilight life after the original self and memories have been taken. In time, such a person may establish a 'bolt on' identity of their own, but the Ludovician will eventually catch the scent of this and return to complete its kill."


Um livro estranho, sobre um tubarão metafísico, que se alimenta da memória e da identidade das pessoas. Hum...

Mas é simpático o autor incluir na sua página do MySpace referências aos problemas de conservação dos tubarões.

12/06/2007



Nela Vicente

Dá tempo ao tempo
Óleo s/ tela
40x30

12/04/2007

Não aconselhável



Por várias razões: incomoda o animal; cria um mau precedente (depois da alimentação de tubarões, só faltava mesmo a natação com tubarões); pode levar uma dentada, ou fazer uma ferida por raspagem; pode fazer uma embolia pulmonar; (a completar...)

11/27/2007

Off the mark



Mark Parisi tinha 210 cartoons de peixes da última vez que vi. Uma mina!

11/24/2007

Big Fish



Adaptado para filme por John August e realizado por Tim Burton (ver site oficial).

11/04/2007

Fundo do mar



No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.

Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.

Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.

Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.


Sophia de Mello Breyner Andresen

10/19/2007



Caldeirada
Alberto Janes (1977)

Em vésperas de caldeirada o outro dia
Já que o peixe estava todo reunido
Teve o goraz a ideia de falar à assembleia
No que foi muito aplaudido

Camaradas principia a ordem do dia
É tudo aquilo que for poluição
Porque o homem que é um tipo cabeçudo
Resolveu destruir tudo pois então

E com tal habilidade e intensidade
Nas fulguranças do génio
Que transforma a água pura numa espécie de mistura
Que nem tem oxigénio

E diz ele que é o rei da criação
As coisas que a gente lhe ouve e tem que ser
Mas a minha opinião, diz o pargo capatão,
Gostava de lha dizer.

Pois se a gente até se afoga,
Grita a boga, por o homem ter estragado o ambiente.
Dar cabo da criação, esse pimpão,
E isso não é decente!

Diz do seu lugar tá mal o carapau
Porque por estes caminhos
Certo vamos mais ou menos ficando todos pequenos
Assim como “jaquinzinhos”

Diz então o camarão a certa altura
Mas o que é que nós ganhamos por falar?
Ó seu grande camarão, pergunta então o cação
Você nem quer refilar?

Se quer morrer, diz a lula toda fula
Com a mania da cerveja nos cafézes
Morra lá à sua vontade que assim seja
Para agradar aos fregueses

Diz nessa altura a sardinha p'rá taínha
Sabe a última do dia? A pescadinha já louca
Meteu o rabo na boca
O que é uma porcaria!

Peço a palavra- gritou o caranguejo-
Eu que tenho por mania observar,
Tenho estudado a questão e vejo a poluição
Dia e noite a aumentar.

Cai do céu a água pura
E a criatura pensa que aquilo que é dele, é monopólio.
Vai a gente beber dela e a goela
Fica cheia de petróleo!

A terra e o mar são para o cidadão
Assim como o seu palácio
Se um dia lhe deito o dente
Pago tudo de repente ou eu não seja crustáceo!

É um tipo irresponsável grita o sável
O homem que tal aquele
Vai a proposta p'rá mesa ou respeita a natureza
Ou vamos todos a ele!

10/07/2007

Crueldade



Chocante! Sem mais comentários.

10/03/2007

Contaminação ambiental



Ying et al., 2002. Occurrence and fate of hormone steroids in the environment.

Tanabe, 2002
. Contamination and toxic effects of persistent endocrine disrupters in marine mammals and birds.